A atrasada revolução da Siri e a aliança com o Google
A tão aguardada Siri impulsionada pela Apple Intelligence está, para dizer o mínimo, bastante atrasada. O cronograma estendido reflete, em grande parte, a dificuldade da Apple em acompanhar o ritmo de desenvolvimento de seus próprios modelos de inteligência artificial. É possível argumentar que esse cenário se desenhou dessa forma devido à hesitação da empresa em investir cifras astronômicas, somada à sua postura rígida sobre privacidade, o que dificulta o treinamento de modelos por conta da escassez de dados proprietários.
Nesta semana, no entanto, houve uma mudança significativa de rumo: Apple e Google anunciaram que os modelos Gemini rodarão nos servidores Private Cloud Compute da Apple. Essa infraestrutura será a base para os futuros recursos da Apple Intelligence, incluindo a nova Siri, apresentada originalmente na WWDC24. Embora essa parceria cubra as funcionalidades mais pesadas e complexas, os modelos locais continuarão sendo parte essencial da equação, lidando com o processamento direto no dispositivo.
A vantagem oculta do atraso
Curiosamente, todo esse tempo de espera pode ter um lado positivo: a base de usuários pronta para receber a novidade cresceu exponencialmente. Quando a Apple Intelligence foi anunciada, ela exigia o chip A17 Pro ou superior, limitando o acesso apenas aos donos de iPhone 15 Pro e 15 Pro Max. Agora, o cenário é outro.
Qualquer pessoa que tenha comprado um modelo da linha iPhone 16 ou da recente linha iPhone 17 nos últimos dois anos — além dos usuários do 15 Pro — terá acesso aos recursos. Hoje, já existem 11 modelos de iPhone no mercado compatíveis com a tecnologia, um salto considerável em relação aos apenas dois aparelhos suportados na época do anúncio original (ou seis, se contarmos o lançamento da linha 16).
Essa expansão é crucial. No início, a Apple Intelligence parecia um argumento de venda exclusivo para obrigar a troca de aparelho. Agora, ela chegará como uma atualização de software gratuita para uma parcela substancial da base de clientes da Apple. Quando a nova Siri começar a ser disponibilizada no iOS 26.4 nesta primavera, seguida por recursos adicionais no iOS 27, a narrativa será muito mais positiva, já que milhões de usuários poderão experimentar a tecnologia imediatamente — assumindo, claro, que tudo funcione como prometido.
Energia para os novos modelos: Oferta do carregador MagSafe
Enquanto o software não chega, quem já investiu nos dispositivos mais recentes da marca pode aproveitar oportunidades no setor de acessórios. A Amazon está oferecendo descontos interessantes no carregador MagSafe original da Apple. O modelo com cabo de um metro está saindo por US$ 30, e a versão de dois metros por US$ 40 — ambos com um desconto de US$ 10 sobre o preço regular.
Para os proprietários de um iPhone 16, iPhone 17 ou do novo iPhone Air, este acessório é capaz de carregar o dispositivo a 25W, desde que conectado a um adaptador de energia de 30W. Embora seja necessário um iPhone recente para atingir as velocidades máximas do MagSafe, o carregador ainda é capaz de alimentar sem fio qualquer aparelho lançado nos últimos oito anos (iPhone 8 em diante), com velocidade limitada a 15W para os modelos mais antigos.
Vale destacar que o cabo também possui certificação para os padrões Qi2.2 e Qi, funcionando perfeitamente com estojos de recarga dos AirPods. É um dos acessórios essenciais para quem busca praticidade e integra o ecossistema da marca, combinando bem com os aparelhos que, em breve, receberão a nova inteligência artificial da empresa.
O impacto da IA nos preços dos smartphones em 2026 e como maximizar o uso do seu Android atual
Há meses circulam rumores de que a indústria de smartphones enfrentaria um encarecimento significativo em 2026, impulsionado pela demanda explosiva do setor de inteligência artificial. Infelizmente, para o consumidor que esperava trocar de aparelho em breve, a confirmação chegou. A Nothing, marca britânica conhecida justamente por oferecer dispositivos com excelente custo-benefício, validou os temores do mercado: os preços vão subir. Carl Pei, CEO da empresa, utilizou a plataforma X para explicar o fenômeno em uma publicação detalhada sobre o porquê do seu próximo smartphone custar mais caro.
A raiz do problema reside na infraestrutura. Os recursos avançados de IA, agora presentes em quase todos os lançamentos, dependem de processamento em nuvem e servidores robustos. Esses servidores, onde os comandos dos usuários são processados, exigem o mesmo tipo de processadores, memória RAM e chips de armazenamento flash utilizados na fabricação de iPhones e dispositivos Android. Com os gigantes da tecnologia disputando esses componentes para seus data centers, a escassez gerou uma pressão de demanda, levando as empresas de semicondutores a aumentarem seus preços nos últimos meses.
O fim da “corrida por especificações”
Analistas da IDC já haviam alertado em relatórios recentes que o mercado global, especialmente os fabricantes de Android, enfrentaria ameaças sérias em 2026 devido à crise de memória. Enquanto marcas premium como Samsung e Apple possuem margens para absorver parte do impacto, fabricantes que operam com margens estreitas — como Xiaomi, Motorola, Realme e a própria Nothing — provavelmente terão que repassar esses custos ao consumidor final. Carl Pei ecoou essa análise, declarando que o modelo de negócios dos últimos quinze anos, onde a queda no custo dos componentes permitia melhorias anuais de hardware sem aumento de preço, foi quebrado.
Historicamente, a Nothing construiu sua reputação com preços competitivos, lançando desde o Phone 1 intermediário em 2022 até as linhas mais recentes e acessíveis da sub-marca CMF. Contudo, as declarações de Pei parecem ser uma estratégia de relações públicas para preparar o terreno e temperar as expectativas de preço para a futura série Nothing Phone 4. Diante de um cenário onde atualizar o hardware pesará mais no bolso, torna-se imperativo que os usuários extraiam o máximo de utilidade e desempenho dos seus aparelhos atuais, evitando o download de softwares desnecessários que ocupam a preciosa — e agora mais cara — memória do dispositivo.
Recursos nativos como aliados da economia de memória
Um exemplo clássico de otimização é o uso de gravadores de tela. Embora a Play Store esteja inundada de aplicativos terceiros para essa função, a grande maioria dos smartphones Android modernos já possui essa capacidade de forma nativa. Utilizar a ferramenta do sistema não apenas é mais prático, mas também poupa o armazenamento interno. Seja para registrar um tutorial, uma partida de jogo ou um erro no sistema, o processo é simples e varia ligeiramente dependendo da interface do fabricante.
Para usuários de aparelhos com interfaces modificadas, como a MIUI da Xiaomi (usando um Redmi Note 9 Pro como referência) ou a OneUI da Samsung, o caminho é intuitivo. O primeiro passo é acessar a Central de Controle deslizando o dedo para baixo na parte superior da tela. Caso o ícone não apareça imediatamente entre os atalhos principais como Wi-Fi e dados móveis, basta deslizar novamente para expandir a lista. Ao localizar o ícone “Gravador de Tela”, geralmente representado por uma câmera, o usuário deve tocá-lo para ativar a função.
Executando a gravação na prática
Imediatamente após a seleção, um pequeno botão vermelho, muitas vezes acompanhado de um cronômetro, surgirá na tela. O usuário tem então a liberdade de navegar até o aplicativo ou conteúdo que deseja capturar. Ao tocar no botão vermelho, a gravação se inicia, registrando tudo o que é exibido no display, inclusive os sons internos do sistema, o que é ideal para gameplays. Para encerrar, basta tocar novamente no quadrado vermelho flutuante — que, vale ressaltar, não aparecerá no vídeo finalizado. O arquivo é salvo automaticamente na galeria de fotos, pronto para ser compartilhado via WhatsApp, Instagram ou e-mail.
Já para quem possui dispositivos com uma versão mais pura do sistema operacional, como é comum nos modelos da Motorola, o procedimento mantém a simplicidade com leves alterações. O acesso se dá deslizando a barra de notificações para baixo duas vezes. O usuário deve procurar pelo atalho “Gravação de Tela” (pode ser necessário deslizar para a direita se não estiver na primeira página). Ao tocar em “Iniciar”, uma contagem regressiva prepara o início da captura. A interrupção da gravação nestes modelos é feita deslizando a barra de notificações novamente e tocando na notificação ativa do gravador. Dominar esses recursos nativos é uma forma inteligente de manter o celular eficiente por mais tempo, algo crucial em tempos de alta nos preços da tecnologia.